TB REACH lançou a sua 6ª ronda de financiamento para iniciativas inovadoras aos serviços da tuberculose (Prazo de submissão de proposta: 28 de Novembro de 2017, 23h59)

A TB REACH é um mecanismo de financiamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), através da sua iniciativa Stop TB Partnership.  O mecanismo foi lançado em 2010, como consequência do reconhecimento da TB como, um dos principais problemas de saúde pública global do nosso tempo. Neste âmbito, o mecanismo TB REACH procura financiar ideias inovadoras para o diagnóstico, tratamento e ligação com outros problemas de saúde, com destaque para o HIV/SIDA.

Para a presente chamada, a TB REACH já vai na sua sexta ronda e, desta vez, solicita ideias inovadoras para uma só categoria, sendo a primeira (i) a melhoria de detecção, ligação com os cuidados e tratamento (C&T) e notificação da TB, e a segunda (ii) a melhoria da adesão e retenção ao tratamento e seus resultados.

A categoria 1, portanto, a de melhoria de detecção, ligação com os C&T e notificação da TB, terá um financiamento até 400,000 dólares americanos e visa “produzir notificações adicionais” de TB sensível e/ou resistente, que em circunstâncias sem intervenção do proponente sob financiamento do TB REACH, os casos de TB permaneceriam indetectados, não-tratados e não notificados.

Por outro lado, a categoria 2, a de melhoria da adesão e retenção ao tratamento e seus resultados, terá um financiamento até 1,000,000 dólares americanos e visa avaliar a capacidade de abordagens e tecnologias na “produção de taxas adicionais de sucesso no tratamento”, contudo sem necessidade inicial de documentar o aumento de casos em tratamento. Para esta categoria, o financiamento será priorizada para contextos com baixas taxas de adesão e retenção e baixas taxas de sucesso no tratamento.

Importa referir que a OMS definiu 3 listas compostas por países com alto peso da doença (lista 1 – TB, lista 2 – TB/HIV e lista 3 – TB resistente). Infelizmente, Moçambique aparece nas três listas, o que significa que (i) a doença é muito comum, (ii) geralmente aparece associada à infecção por HIV e em alguns casos (iii) não responde ao tratamento da primeira linha de medicamentos. Portanto, Moçambique precisa deste financiamento.

Moçambique melhorou lentamente as notificações totais de casos de TB, de 53,585 em 2013, para 73,470 casos em 2016. No entanto, apenas 38% destes é que concluiu o tratamento. Mais, em 2008, cerca de 3.7% de casos eram TB resistente, entre casos novos, e 20% entre re-tratamentos. O País faz parte dos 10 países no mundo que contribuem com 77% da lacuna global na detecção de casos de TB resistente (PNCT relatório, 2016). No País, há fraca suspeita dos casos, baixa cobertura da rede laboratorial adequada e os casos detectados estão em gestão deficiente nas unidades sanitárias, mesmo com o aumento das actividades de capacitação dos técnicos.

Em 2016, cerca de 24% das estimativas sobre TB resistente, não foram detectados. Mais, menos de 20% dos casos de re-tratamento não foram submetidos a testes de sensibilidade antibiótica (TSA), tendo-se perdido a oportunidade de se testar a maior parte dos pacientes com elevado risco de ter TB resistente (PNCT relatório, 2016).

Por último, mas não menos desafiante, a taxa de sucesso de tratamento aumentou de 35% em 2008 para 47% em 2016 (PNCT relatório, 2016), mas continua aquém dos 70% do definido como ideal. Importa referir que ter mais da metade de pacientes diagnosticados sem tratamento adequado, significa que o sistema continua a não cortar a cadeia de transmissão da infecção particularmente resistente, mas também este facto pode levar a desenvolvimento de casos de extrema resistência a medicamentos.

Figura única: Resultados de tratamento da TB resistente (Fonte: PNCT relatório, 2016)

Para mais informações:

Consulte www.stoptb.org/global/awards/tbreach/wave6Resources.asp